Um conforto, um colo, um regaço...
Queria poder descer do salto, sair da defensiva nem que fosse por dois minutos.
Não quero ser sempre a errada, não tenho toda essa força que talvez aparente, eu nem sou corajosa...
A noite fecho bem os meus olhos numa tentativa de fugir dos meus medos, como uma criança tola que pensa que cubrindo-se até a cabeça não será vista por ninguém.
Procuro uma nova rota fuga, uma saída de emergência... pra fugir de dentro de mim quando a coisa ficar preta.
A cada novo dia sinto que os meus pontos de apoio estão mais escassos. Como se eu tivesse perdido o direito de ter desconto, de por a culpa em qualquer outra coisa que não seja em mim...
Limpo o rosto borrado, percebo que foi impossível segurar as lágrimas.
Só resta colocar a cabeça no travesseiro e esperar amanhecer mais um dia,
onde eu vou vestir meu falso escudo,
sem ainda ter encontrado um conforto, um colo ou um regaço.
quarta-feira, 28 de abril de 2010
sexta-feira, 16 de abril de 2010
E de repente a vida criou uma paz insana para mim, toda a confusão acabou e tanto que criou outra ainda maior a confusão de não ter confusão, de não ter amor, dor, revolta mais nada, toda confusão de não saber nada não, e de ter em tudo em vão, pura confusão. Parece até que a vida deu aquela parada básica para você poder descer e respirar um pouco para você descer do mundo, ver a vida de fora é isso que estou fazendo vendo a vida de fora. Vendo o problemas dos outros e tentando resolver vendo o amor dos outros e pensando porque também não posso ter. Eu estou na fila esperando o próximo trem a próxima estação a minha estação, mais ela demora parece estar longe em outra aurora.
Apite se for capaz !

Não perca jamais o respeito por si próprio, nem fique muito à vontade consigo mesmo. Deixe que a sua integridade seja o seu próprio modelo de retidão e confie mais na severidade do seu próprio julgamento do que em todos os preceitos externos. Abandone a conduta indecorosa, mais pelo respeito à sua própria virtude do que à censura da autoridade externa. Respeite-se, e não precisará de tutor imaginário de Sêneca.
São palavras como estas que fazem com que eu consiga conduzir meus atos ao longo do dia.
São palavras como estas que fazem com que eu consiga conduzir meus atos ao longo do dia.
terça-feira, 6 de abril de 2010
domingo, 4 de abril de 2010
Aos produtores de ilusões
Primeiro nos venderam a ilusão de um príncipe encantado, mas ele nunca chegou. Depois a idéia de um novo milênio que veio todo estragado. Mais recentemente, fomos levadas a acreditar que seios maiores nos traria felicidade, porém nada mudou.
Até quando vocês vão continuar nos enganando dessa maneira? Nossa paciência tem limite.
E não foram essas as únicas ilusões que alimentamos ao longo dos anos e deram problema.
venderam-nos a idéia de “Brasil, país do futuro” por anos seguidos, através de fartos anúncios publicitários. Pois bem, o futuro chegou e continua a mesma porcaria. Disseram também que o grande problema do país era a dívida externa, algo sem solução nem remédio. Agora, de repente, essa dívida deixou de existir e ninguém mais toca no assunto.
Todo dia, vocês nos empurram uma nova solução definitiva para as celulites em nosso corpo, uma mais sensacional que a outra. Se juntassem todo o dinheiro já gasto pelas mulheres nessa luta inglória, daria pra acabar com a fome no mundo.
Gravemente, não é a primeira vez que somos levadas a acreditar em uma coisa inexistente. Há quem compre até hoje as ilusões da família unida, do politico honesto e da amizade colorida.
Lábios carnudos e naturais? Só ficam naturais nas mulheres que nasceram com eles, as sortudas. No resto de nós, o mais natural que ficam é parecer com picadas de abelha. Resultado: milhões de mulheres com a mesma boca equivocada. Não conseguimos diferenciar quem apanhou do marido ou quem passou no dermatologista.
Então, nós exigimos novas ilusões, o mais rápido possível. Senão, seremos obrigados a tomar uma medida extremamente desagradável: encarar a dura realidade!
Até quando vocês vão continuar nos enganando dessa maneira? Nossa paciência tem limite.
E não foram essas as únicas ilusões que alimentamos ao longo dos anos e deram problema.
venderam-nos a idéia de “Brasil, país do futuro” por anos seguidos, através de fartos anúncios publicitários. Pois bem, o futuro chegou e continua a mesma porcaria. Disseram também que o grande problema do país era a dívida externa, algo sem solução nem remédio. Agora, de repente, essa dívida deixou de existir e ninguém mais toca no assunto.
Todo dia, vocês nos empurram uma nova solução definitiva para as celulites em nosso corpo, uma mais sensacional que a outra. Se juntassem todo o dinheiro já gasto pelas mulheres nessa luta inglória, daria pra acabar com a fome no mundo.
Gravemente, não é a primeira vez que somos levadas a acreditar em uma coisa inexistente. Há quem compre até hoje as ilusões da família unida, do politico honesto e da amizade colorida.
Lábios carnudos e naturais? Só ficam naturais nas mulheres que nasceram com eles, as sortudas. No resto de nós, o mais natural que ficam é parecer com picadas de abelha. Resultado: milhões de mulheres com a mesma boca equivocada. Não conseguimos diferenciar quem apanhou do marido ou quem passou no dermatologista.
Então, nós exigimos novas ilusões, o mais rápido possível. Senão, seremos obrigados a tomar uma medida extremamente desagradável: encarar a dura realidade!
Medo da solidão
Através da janela eu espiava aquele dia de céu escuro. Filmes desconexos passavam apressados pela cabeça, e a paisagem lá fora, as árvores que eu tanto apreciara das outras vezes, se afiguravam sombrias, emudecidas. Nesses momentos é comum refletir sobre a vida, fazer planos, ter saudade dos que ficaram na rodoviária com lágrimas nos olhos.
O passageiro ao meu lado abre e começa a devorar o pacote de biscoitos de polvilho, não sem antes ter-me oferecido alguns, com a boca já cheia. A criança inquieta que viajava ao lado da mãe, nas poltronas da frente, também decide abrir o saquinho de batatas; quase ao mesmo tempo em que o rapaz de boné que dormira com o mp3 ligado despertou e desembrulhou logo um bombom. Aquele silêncio de morte fora interrompido pelos insistentes maxilares daqueles viajantes. Meus pensamentos à mil e meu estômago embrulhando com todo aquele cheiro de comida industrializada.
Eu ali, com vontade de chorar por todos os motivos do mundo. Um nó prende a voz na garganta. Não me permito esboçar nenhuma dor ali, no meio de tantos desconhecidos.
Nem uma nuvem no céu. Faço questão de esfregar bem os olhos e certificar-me de que nenhuma lágrima escorreu... Numa das poltronas lá na frente um senhor muito bem vestido lê. Amaioria apenas dorme.
Não tenho medo da morte. Tenho medo da solidão. Não essa solidão a que já nos acostumamos; de ver rostos mas desconhecer as identidades, os desejos, os defeitos, a essência. Acostumei-me a ver sem enxergar. Todos nos acostumamos. Falo da solidão absoluta; da completa impossibilidade de comunicar-me; manifestar sentimentos; tocar e poder perceber as coisas. Choro. Começo a soluçar. Como criança, exteriorizo todo o pesar da perda, e a angústia que fustigava meu peito. Olhares discretos e prestativos são dirigidos a mim. Não pronunciei palavra, mas foi como se naquele momento todos ali soubessem o motivo exato do meu choro; complacentes, como se dispusessem-se a dividir aquela dor comigo.
O passageiro ao meu lado abre e começa a devorar o pacote de biscoitos de polvilho, não sem antes ter-me oferecido alguns, com a boca já cheia. A criança inquieta que viajava ao lado da mãe, nas poltronas da frente, também decide abrir o saquinho de batatas; quase ao mesmo tempo em que o rapaz de boné que dormira com o mp3 ligado despertou e desembrulhou logo um bombom. Aquele silêncio de morte fora interrompido pelos insistentes maxilares daqueles viajantes. Meus pensamentos à mil e meu estômago embrulhando com todo aquele cheiro de comida industrializada.
Eu ali, com vontade de chorar por todos os motivos do mundo. Um nó prende a voz na garganta. Não me permito esboçar nenhuma dor ali, no meio de tantos desconhecidos.
Nem uma nuvem no céu. Faço questão de esfregar bem os olhos e certificar-me de que nenhuma lágrima escorreu... Numa das poltronas lá na frente um senhor muito bem vestido lê. Amaioria apenas dorme.
Não tenho medo da morte. Tenho medo da solidão. Não essa solidão a que já nos acostumamos; de ver rostos mas desconhecer as identidades, os desejos, os defeitos, a essência. Acostumei-me a ver sem enxergar. Todos nos acostumamos. Falo da solidão absoluta; da completa impossibilidade de comunicar-me; manifestar sentimentos; tocar e poder perceber as coisas. Choro. Começo a soluçar. Como criança, exteriorizo todo o pesar da perda, e a angústia que fustigava meu peito. Olhares discretos e prestativos são dirigidos a mim. Não pronunciei palavra, mas foi como se naquele momento todos ali soubessem o motivo exato do meu choro; complacentes, como se dispusessem-se a dividir aquela dor comigo.
O que te faz correr atrás de um sonho? Qual é o ponto exato que difere sonho de utopia? O que te faz deixa as coisas pra trás e seguir um novo e desconhecido caminho atrás de uma ambição?
O simples fato de sentir o sangue correr mais forte e o corpo estremecer, de perceber que alguma alma ainda vive dentro de mim, de sentir o gosto do desconhecido que sempre me provocou os desejos mais libertinos.
Apenas isso me faz correr atrás de sonhos, mas pelo menos ainda há alguma coisa que faça...
O simples fato de sentir o sangue correr mais forte e o corpo estremecer, de perceber que alguma alma ainda vive dentro de mim, de sentir o gosto do desconhecido que sempre me provocou os desejos mais libertinos.
Apenas isso me faz correr atrás de sonhos, mas pelo menos ainda há alguma coisa que faça...
Toda grande mudança é difícil. Vem com uma enorme parcela de medo. Demora um bom tempo até se acostumar com o novo, até desapegar do velho... Leva um grande tempo até conseguir sentir-se bem mesmo não tendo o que se tinha antes, não vendo o que se via antes e não sentindo o que sentia antes.
Preciso encontrar em mim um ponto forte que me sustente enquanto vivo os dias frios. Preciso me manter firme, não posso desistir.
É sempre preciso abrir mão de alguma coisa para correr atrás de um sonho. É irônico quando a tua vida simplesmente resolve colocar um ponto final em tudo o que tu tinha como certo, aí ela vem e te entrega nas mãos uma rotina nova de um dia para o outro, com novas caras, novos ambientes e novos hábitos. E tu tem que engolir empurrado tudo ao mesmo tempo, sendo forte ou fingindo ser.
Eu confio no meu tempo, eu sei que quanto menos esperar vou me ver fazendo parte do novo, e tudo vai parecer tão normal, aí finalmente esse vazio que eu sinto hoje vai se completar, de alguma coisa ele vai ter que se completar...
Ultimamente ando esperado muito por esse dia, ando rezando com todas as minhas forças para que ele chega logo... Tenho pressa !
Preciso encontrar em mim um ponto forte que me sustente enquanto vivo os dias frios. Preciso me manter firme, não posso desistir.
É sempre preciso abrir mão de alguma coisa para correr atrás de um sonho. É irônico quando a tua vida simplesmente resolve colocar um ponto final em tudo o que tu tinha como certo, aí ela vem e te entrega nas mãos uma rotina nova de um dia para o outro, com novas caras, novos ambientes e novos hábitos. E tu tem que engolir empurrado tudo ao mesmo tempo, sendo forte ou fingindo ser.
Eu confio no meu tempo, eu sei que quanto menos esperar vou me ver fazendo parte do novo, e tudo vai parecer tão normal, aí finalmente esse vazio que eu sinto hoje vai se completar, de alguma coisa ele vai ter que se completar...
Ultimamente ando esperado muito por esse dia, ando rezando com todas as minhas forças para que ele chega logo... Tenho pressa !
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