quarta-feira, 28 de setembro de 2011

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‎'Nunca, jamais diga o que sente. Por mais que doa, por mais que te faça feliz. Quando sentir algo muito forte, peça um drink.' 
Caio Fernando Abreu

terça-feira, 27 de setembro de 2011

beijos sem paixão
crime sem castigo
aperto de mãos
apenas bons amigos

passado

Eu quis perder as chaves
você disse que seria para toda a vida!

Promessas são quebradas,
sentimentos mudam com tanta velocidade...

Eu dormia em seus braços,
ela dorme em teus braços,
nós dormimos nos braços de outro alguém.
conservo os bons costumes
valorizo os velhos amigos
a cada novo dia aprendo
não se pode ganhar em tudo

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

mãos para o alto

No dia seguinte não choveu.
No dia seguinte não chorei.
Eu aceitei que teria que conviver com a dor. E o que me mantinha esperançosa é que ela diminuia gradativamente dia após dia. Continuo sentindo tudo o que eu sentia, mas já sem procurar lógica para esse sentimento. Já consigo ser indiferente, eu ergui minhas mãos para o alto. Eu procurei respostas em todos esses meses, eu te via e me perguntava no que eu errei. O que eu não conseguia ver era que o erro foi comum de dois.
Passei a sair com meus amigos, ir ao cinema, aos bares e até algumas festas. A gente ri bastante, e pela primeira vez a vida parece ser possível de ser vivia sem ti. Eu comecei a conhecer pessoas novas, diferentes das que eu estava acostumada. 
Mas quando digo que não procuro mais lógica estou mentindo. Li em um livro que entender é limitado, e que não entender é libertador.

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Quis se recriar
Quis fantasiar
No quarto de vestir
Despiu-se do pudor



segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Descanso

Aquele foi o momento que eu evitaria para o resto da vida. Eu, ela, você. Os meus amigos, os teus amigos, nunca mais nossos amigos. Aquele era pra ser só um sábado de diversão, até você chegar. E toda a mágoa por te ver, toda a tristeza por ver ela, todo o sentimento que eu esperava crescer em mim, não veio. Só a indiferença, apenas. Nem uma pontinha de saudade, nem uma lágrima presa, nem um suspiro abafado, nada... Apenas um coração frio que eu nunca desejei, uma alma calculista que não cabe a mim, quem não sou eu.
Mas chega a hora de pensar em ti, de penar em mim.

domingo, 21 de agosto de 2011

Ontem fiquei imaginando o que você teria feito com a minha escova de dentes, que ficava ao lado da sua, as duas juntas de forma indecente, como jamais ficaremos. Teria jogado-a no lixo, assim como fez com nossos momentos? Ou abandonou-a em uma gaveta com a esperança de que um dia eu pudesse voltar a usá-la em sua casa? 
Na semana passada olhei nossas fotos, todas aquelas lembranças e aqueles sorrisos deixaram-me sentindo um pouquinho pior; porque nada me serve, nenhum ato que pareça maduro é maduro de fato, mas o que me resta? Tenho que faxinar você da minha vida, não posso permitir o atrevimento de você estar aqui sem estar aqui. 
Não ouço mais música, todos os meus discos foram escutados em sua presença, e todas as letras me falam de você, da sua ausência, da minha dor, do seu novo amor.
Quem é ela? Tão diferente de mim, tão mais nova em sua vida, tão feliz com a sua chegada, como você consegue dizer pra ela o que me dizia no mês passado, você já disse que a ama? Você levou quatro meses para me dizer e nunca mais parou, você não poupava as palavras, não havia um único dia em que eu não escutasse de você o quanto me amava, dizia no meu ouvido, eu gostava daquilo, te amo, te amo, como é que você fez para acabar com esse amor em tão pouco tempo? Onde o escondeu? Como é que seu amor foi desaparecer sem deixar pistas, feito um crime perfeito?
Na primeira vez que disse que te amava eu me surpreendi com isso, pois sempre fui econômica em certas declarações, mas as palavras saíram de mim sem controle e também nunca mais parei.
"Eu sabia que terminaríamos, eu sabia que era uma viagem sem destino, sabia desde o início e não sabia, não sabia que doeria tanto, que era muito mais do que se pode saber, ninguém pode saber um amor, entender um amor, tanto que terminou sem muito discurso, foi uma noite em que você quase pediu, me deixe. Ora, pra que me eganar: você realmente pediu, sem pronunciar palavra, você vinha pedindo, me deixe, olhe o jeito que te trato, repare como não te quero mais, me deixe, e eu, de repente, naquela noite que poderia ter sido amena, me vi desistindo de um jantar e de nós dois em menos de dez minutos, a decisão mais rápida da minha vida, e a mais longa, começou a ser amadurecida desde o dia quem que falei com você pela primeira vez, desde uma tarde me que nem tínhamos iniciado nada e eu já amadurecia o fim, e assim foi durante o ano em que estivemos tão juntos e tão separados, eu em constante estado de paixão e luto, em preparando para o amor e a dor ao mesmo tempo, achando que isso era maturidade. Que idiota eu sou, no que é que amadureci?"

Fora de mim - Martha Medeiros

Suscetível a tragédias

Hoje acordei e senti medo de abrir a porta do quarto. Tive medo que o telefone tocasse e uma notícia ruim destruísse com meu dia, como se ele já não estivesse suficientemente ruim. Hoje eu acordei suscetível a tragédias, me sentindo um imã de problemas, o medo de ter medo, como um dia cinza mas não tão desesperador, não há problema se ele durar para sempre, já que fazer algo pra mudar pode acabar dando errado e estragando tudo. O melhor que eu posso fazer é deitar encontrar uma distração inútil e tentar não me sentir ressentida. Não há como fazer algo melhor, não há como fazer nada direito.

Hoje chove hostilidade em cada alma de cada pessoa, ninguem aceitará meu medo, e ninguem vai me acolher. Todo mundo já está muito preocupado em manter-se em pé, produzindo mais e mais, o melhor que acham que podem fazer. Sendo o melhor que acham que podem ser. E eu? E eu que hoje penso que o melhor que posso fazer é fugir de qualquer coisa que me faça agir de verdade? Como eu fico?

Honestamente, eu preciso de alguém hoje, alguém que não me convide pra uma festa. Que não me conte sobre eventos nos quais não estive, e principalmente não me fale sobre o que falaram de mim. Eu costumo não me importar, mas o dia está realmente perigoso hoje. É como um delírio de febre, um suór frio que não te deixa ficar à vontade.

Eu não posso evitar, eu tenho que dar às coisas a chance do erro, eu não posso mudar o curso natural dos acontecimentos, e hoje a expectativa de falha é 99%, se não fosse esse 1%, no qual só acredito por que ainda não perdi toda a racionalidade, eu não teria um motivo para deixar o telefone ligado e parar de fingir que não estou se alguem bater na porta. Eu vou jogar aquele joguinho em que o objetivo é se suicidar, eu sei, seria frustrante se eu não conseguisse. Talvez eu deveria comprar um presente e dar para alguém, é uma coisa que raramente falha, as vezes não agrada, mas hoje não é natal e eu certamente não vou escolher alguém que está de aniversário. Talvez devesse tentar agredir alguém, se não desse certo, pelo menos seria grande a possibilidade de represália, e ser agredida nunca foi muito difícil.

Eu só preciso fazer algo direito, mas hoje chove hostilidade nas almas, eu não sou hostilidade. Hoje o mundo tá demais pra mim, hoje eu to de menos pro mundo.

sábado, 16 de julho de 2011

Ficar parado.

Negar  a existência de múltiplas formas de expressão, ou condená-las, é negar a tantas pessoas o direito de serem felizes. Isso é estagnação. E esta, sinceramente, não interessa a ninguém.

Tudo é velho em mim aos 19 anos

As flores, o cheiro de jornais antigos
O sol vai se embora dando espaço ao frio do inverno
O cinza que tem som de tristeza
as folhas tão velhas no chão
As mãos, os olhos, boca, nariz sem rugas
mas tão velhos...
Tantas folhas já viram cair
que morrem ao vento no meu jardim...
E em mim? De mim?
Só lembro do cheiro de jornais amarelos.

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Tenho preguiça de começar novamente...
Preguiça de conhecer, preguiça de gostar, preguiça de ter vontade de ver outra e outra e outra vez.
Quando penso em um primeiro beijo, em um primeiro toque ou em um primeiro sexo me canso. É nada cômodo imaginar uma paixão outra vez, em começar tudo outra vez.
E comemorar mês a mês de relacionamento então... Fiquei exausta!
Bom seria encontrar alguém loucamente apaixonado por mim, e mais ainda se eu sentisse o mesmo desde o primeiro olhar. Nos juntarmos no terceiro dia, casar-se comigo no sétimo e adquirir herdeiros no décimo segundo.
Não sei mais se quero você, só sei que queria alguém no estágio do felizes para sempre.
Quem sabe não sentirei amor por outra pessoa tão cedo. Quem sabe sentirei um amor maior e mais inexplicável do que o que sinto por ti hoje. Quem sabe... Quem sabe?

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Convenção dos medos

Imagine uma convenção dos seu temores. Tudo o que já assustou você um dia reunido. Em sonho, em algum lugar você as encontrará, confraternizando: as suas fobias, as suas bestas negras. Você não as temerá mais. Poderá, finalmente, conviver com elas socialmente. Trocar histórias e lembranças. Evocar seus medos como se fossem bobas experiências vividas num passado improvável, e dar boas risadas.
O bicho-papão estará lá, naturalmente. Mas não será nada parecido com o bicho-papão que você tinha na memória.

- Mas... Você é menor que eu!
- Na época eu era bem maior.
- E os seus dentes? Eles eram enormes e afiados.
- Pois é, perdi todos.

E o bicho-papão tapará a boca para rir. Os cabelos que cobrem todo o seu corpo estarão brancos e ele usará óculos. O bicho-papão usará óculos. Você o ajudará a sentar-se, carinhosamente, e perguntará se ele quer um refresco.
Outro animal se apresentará. A principio você não o reconhecerá. Sua forma é indefinida, metade réptil, metade lobo, mas com longos braços e mãos humanas. A mão que ele estende para você apertar treme um pouco. Ele está emocionado.

- Você é...?
- O bicho que tinha embaixo da sua cama. Lembra?
- Puxa. Eu pulava na cama, com medo de que você pegasse meu pé.
- Tentei várias vezes, mas nunca peguei. Você era mais rápido.
- Gentileza sua.

Ele se afastará, lentamente, se arrastando pelo chão com dificuldade. E pensar que você tinha medo daquilo.

- Lembra de mim?

Você examinará a cara do homem que surgiu à sua frente a sorrir timidamente. As feições são vagamente familiares, mas você não consegue... mas claro!

- Jorjão!

Vocês se abraçarão, ele um pouco sem jeito, e ele dirá:

- Eu era o mais brigão da turma, na escola, lembra?
- Se me lembro. Você vivia ameaçando bater em mim.
- Ora...
- Eu tinha pavor de você. Que fim você levou? Foi lutador? Leão-de-chácara? Assassino?
- Não, não. Me formei em contabilidade. Hoje só bato na minha mulher, quando ela deixa.

E quem será aquela figura curvada e hesitante lá longe? É o seu professor de português! O homem que tirava o seu sono de adolescente, o homem cuja ameaça constante de chamá-lo para conjugar um verbo tirava nacos semanais do seu estômago... Ele também não é como você lembrava. Nem se aproxima, acena amistosamente de longe e volta a conversar com outra figura que você também custa a reconhecer. É uma figura de pijama. Será quem você está pensando? É. O general. E pensar que durante tanto tempo você temeu que ele liderasse um golpe fascista no país e que até você, que afinal é de esquerda mas só teoricamente, fosse fuzilado. Ali está ele com cara de sono, certamente pensando no jogo de biriba que está perdendo.
Como nós eramos ridículos, pensará você, com medo dessas fantasias. Aquela ali por exemplo. O homem do saco. Como você poderia ter medo de um pobre miserável, um trapeiro que mal tinha força para carregar seus sacos, ainda mais com você dentro de um deles?
O homem do saco se aproxima. Você o recebe com um sorriso. Ele não sorri. Você começa uma conversa simpática para pô-lo à vontade, mas ele interrompe.

- Está na hora – diz ele.
- O quê?
- Está na hora. Vamos.

E ele colocará você dentro de um saco e levará você para outro mundo.

dieta


Eu quero a carne vermelha,
o sangue,
a paixão,
a mentira,
o pecado
e o perdão...
Se não for assim, não quero.
Não é amor, é quase.
Talvez, nem case,
pois o amor está cansado
de ser trocado
por leite condensado.

Final (in)feliz


E quando parecia que as coisas estavam encaminhando-se à um pra sempre tudo acabou.
Sem mais amor mas sem mais dor? É por incrível que pareça não há mais dor, ou talvez há um pouco menos dela.. Há uma paz insana, que me deixa intrigada comigo mesma, porque há sossego? Porque de uma hora para a outra?
O que me consola é que hoje gosto menos de você do que gostei ontem, e amanhã será menos ainda. Sendo assim, consigo pensar por mim mesma, respirar por mim mesma, suportar por mim mesma...

domingo, 29 de maio de 2011

queimando.

Erros.
Vontade de ficar de bem.
Meias palavras...
final?
Sem chão, sem cor, sem crer...
Dor, dor, dor, dor!
tristeza, frustração... MEDO!
e mais dor...
o coração batendo na garganta, 
as cores indo embora da vida,
o frio da solidão batendo na cara...
noite em claro, 
vontade de sumir...
Dor e amor!
Novo dia,
muitas palavras,
mágoas,
lágrimas, lágrimas...
Vontade de ficar de bem.
Dor.
Amor.
Vontade de ficar de bem.
Fim do dia, inicio de noite
e mais dor!