segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Descanso

Aquele foi o momento que eu evitaria para o resto da vida. Eu, ela, você. Os meus amigos, os teus amigos, nunca mais nossos amigos. Aquele era pra ser só um sábado de diversão, até você chegar. E toda a mágoa por te ver, toda a tristeza por ver ela, todo o sentimento que eu esperava crescer em mim, não veio. Só a indiferença, apenas. Nem uma pontinha de saudade, nem uma lágrima presa, nem um suspiro abafado, nada... Apenas um coração frio que eu nunca desejei, uma alma calculista que não cabe a mim, quem não sou eu.
Mas chega a hora de pensar em ti, de penar em mim.

domingo, 21 de agosto de 2011

Ontem fiquei imaginando o que você teria feito com a minha escova de dentes, que ficava ao lado da sua, as duas juntas de forma indecente, como jamais ficaremos. Teria jogado-a no lixo, assim como fez com nossos momentos? Ou abandonou-a em uma gaveta com a esperança de que um dia eu pudesse voltar a usá-la em sua casa? 
Na semana passada olhei nossas fotos, todas aquelas lembranças e aqueles sorrisos deixaram-me sentindo um pouquinho pior; porque nada me serve, nenhum ato que pareça maduro é maduro de fato, mas o que me resta? Tenho que faxinar você da minha vida, não posso permitir o atrevimento de você estar aqui sem estar aqui. 
Não ouço mais música, todos os meus discos foram escutados em sua presença, e todas as letras me falam de você, da sua ausência, da minha dor, do seu novo amor.
Quem é ela? Tão diferente de mim, tão mais nova em sua vida, tão feliz com a sua chegada, como você consegue dizer pra ela o que me dizia no mês passado, você já disse que a ama? Você levou quatro meses para me dizer e nunca mais parou, você não poupava as palavras, não havia um único dia em que eu não escutasse de você o quanto me amava, dizia no meu ouvido, eu gostava daquilo, te amo, te amo, como é que você fez para acabar com esse amor em tão pouco tempo? Onde o escondeu? Como é que seu amor foi desaparecer sem deixar pistas, feito um crime perfeito?
Na primeira vez que disse que te amava eu me surpreendi com isso, pois sempre fui econômica em certas declarações, mas as palavras saíram de mim sem controle e também nunca mais parei.
"Eu sabia que terminaríamos, eu sabia que era uma viagem sem destino, sabia desde o início e não sabia, não sabia que doeria tanto, que era muito mais do que se pode saber, ninguém pode saber um amor, entender um amor, tanto que terminou sem muito discurso, foi uma noite em que você quase pediu, me deixe. Ora, pra que me eganar: você realmente pediu, sem pronunciar palavra, você vinha pedindo, me deixe, olhe o jeito que te trato, repare como não te quero mais, me deixe, e eu, de repente, naquela noite que poderia ter sido amena, me vi desistindo de um jantar e de nós dois em menos de dez minutos, a decisão mais rápida da minha vida, e a mais longa, começou a ser amadurecida desde o dia quem que falei com você pela primeira vez, desde uma tarde me que nem tínhamos iniciado nada e eu já amadurecia o fim, e assim foi durante o ano em que estivemos tão juntos e tão separados, eu em constante estado de paixão e luto, em preparando para o amor e a dor ao mesmo tempo, achando que isso era maturidade. Que idiota eu sou, no que é que amadureci?"

Fora de mim - Martha Medeiros

Suscetível a tragédias

Hoje acordei e senti medo de abrir a porta do quarto. Tive medo que o telefone tocasse e uma notícia ruim destruísse com meu dia, como se ele já não estivesse suficientemente ruim. Hoje eu acordei suscetível a tragédias, me sentindo um imã de problemas, o medo de ter medo, como um dia cinza mas não tão desesperador, não há problema se ele durar para sempre, já que fazer algo pra mudar pode acabar dando errado e estragando tudo. O melhor que eu posso fazer é deitar encontrar uma distração inútil e tentar não me sentir ressentida. Não há como fazer algo melhor, não há como fazer nada direito.

Hoje chove hostilidade em cada alma de cada pessoa, ninguem aceitará meu medo, e ninguem vai me acolher. Todo mundo já está muito preocupado em manter-se em pé, produzindo mais e mais, o melhor que acham que podem fazer. Sendo o melhor que acham que podem ser. E eu? E eu que hoje penso que o melhor que posso fazer é fugir de qualquer coisa que me faça agir de verdade? Como eu fico?

Honestamente, eu preciso de alguém hoje, alguém que não me convide pra uma festa. Que não me conte sobre eventos nos quais não estive, e principalmente não me fale sobre o que falaram de mim. Eu costumo não me importar, mas o dia está realmente perigoso hoje. É como um delírio de febre, um suór frio que não te deixa ficar à vontade.

Eu não posso evitar, eu tenho que dar às coisas a chance do erro, eu não posso mudar o curso natural dos acontecimentos, e hoje a expectativa de falha é 99%, se não fosse esse 1%, no qual só acredito por que ainda não perdi toda a racionalidade, eu não teria um motivo para deixar o telefone ligado e parar de fingir que não estou se alguem bater na porta. Eu vou jogar aquele joguinho em que o objetivo é se suicidar, eu sei, seria frustrante se eu não conseguisse. Talvez eu deveria comprar um presente e dar para alguém, é uma coisa que raramente falha, as vezes não agrada, mas hoje não é natal e eu certamente não vou escolher alguém que está de aniversário. Talvez devesse tentar agredir alguém, se não desse certo, pelo menos seria grande a possibilidade de represália, e ser agredida nunca foi muito difícil.

Eu só preciso fazer algo direito, mas hoje chove hostilidade nas almas, eu não sou hostilidade. Hoje o mundo tá demais pra mim, hoje eu to de menos pro mundo.